A vitivinicultura do Sul de Minas acaba de conquistar um importante marco para o desenvolvimento do setor. Foi sancionada pelo governador Mateus Simões (PSD) a Lei nº 25.957, que institui o Polo de Incentivo à Vitivinicultura na Região Sul de Minas Gerais. A norma foi publicada na edição do dia 14 de julho de 2026 do Diário Oficial Minas Gerais e estabelece diretrizes para fortalecer toda a cadeia produtiva da uva e do vinho.
A nova legislação busca impulsionar desde o cultivo da videira, por meio da viticultura, até a produção de vinhos e derivados, criando um ambiente favorável para investimentos, inovação e expansão do setor, que tem se destacado nacionalmente pela qualidade de seus vinhos de inverno.
Entre os principais objetivos da lei estão o incentivo à produção, industrialização, comercialização e consumo de vinhos, além da promoção de pesquisas e do desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à vitivinicultura. A legislação também prevê a integração da atividade com os setores do comércio, serviços e turismo, ampliando as oportunidades de desenvolvimento econômico para a região.
Outro destaque é o incentivo à geração de empregos e ao fortalecimento da agricultura familiar, reconhecendo o papel dos pequenos produtores na consolidação da vitivinicultura mineira. A exploração do potencial turístico ligado às vinícolas, que já movimenta milhares de visitantes todos os anos, também passa a integrar as políticas públicas previstas na nova legislação.
A lei teve origem no Projeto de Lei nº 2.232/2020, de autoria do deputado estadual Dalmo Ribeiro Silva (PSDB), sendo aprovada em segundo turno pelo Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais no dia 27 de maio de 2026.
Entre as diretrizes que deverão orientar a atuação do poder público estão o fortalecimento do controle fitossanitário dos vinhedos, a destinação de recursos para o setor, a ampliação da assistência técnica aos produtores, programas de capacitação profissional, tratamento tributário diferenciado para a instalação de agroindústrias do vinho e a criação de centros logísticos para facilitar o escoamento da produção.
Avanço para Andradas e o Sul de Minas
A criação do Polo representa um avanço estratégico para municípios como Andradas, considerada uma das principais referências da vitivinicultura mineira, além de beneficiar diversas cidades do Sul de Minas que vêm investindo na produção de uvas finas e vinhos de alta qualidade.
Nos últimos anos, a região ganhou reconhecimento nacional e internacional graças à técnica da dupla poda, responsável pelos chamados vinhos de inverno, que colocaram Minas Gerais entre os principais polos produtores de vinhos finos do Brasil. Com a nova legislação, a expectativa é de aumento dos investimentos, fortalecimento das vinícolas, ampliação do turismo enogastronômico e geração de novas oportunidades para produtores, empreendedores e trabalhadores do setor.
A Lei nº 25.957 consolida uma política pública voltada para um segmento que une tradição, inovação, desenvolvimento econômico e valorização da identidade do Sul de Minas, reforçando o protagonismo da região no cenário da vitivinicultura brasileira.
O que a nova lei pode representar para Andradas?
Considerada a Capital do Vinho de Minas Gerais, Andradas tende a ser uma das cidades mais beneficiadas pela criação do Polo de Incentivo à Vitivinicultura. Com uma tradição centenária na produção de uvas e vinhos, o município reúne vinícolas, produtores familiares, empreendimentos de enoturismo e instituições voltadas ao desenvolvimento da atividade, formando uma das cadeias produtivas mais consolidadas do Estado.
Na prática, a nova legislação pode facilitar a atração de investimentos públicos e privados para o setor, ampliar o acesso dos produtores à assistência técnica, incentivar pesquisas e novas tecnologias, fortalecer o controle fitossanitário das videiras e estimular a instalação de novas agroindústrias. A lei também prevê mecanismos para tratamento tributário diferenciado, criação de centros logísticos e a implantação de um selo especial de identificação para os produtores do polo, medidas que podem aumentar a competitividade dos vinhos produzidos em Andradas.
Outro impacto esperado é o fortalecimento do enoturismo. Com políticas voltadas à integração entre vitivinicultura, gastronomia, hotelaria e comércio, Andradas poderá ampliar sua posição como destino turístico, impulsionando eventos tradicionais, como a Festa do Vinho, além de incentivar a criação de novas rotas de visitação às vinícolas, degustações, experiências gastronômicas e negócios ligados ao turismo rural. O aumento do fluxo de visitantes beneficia restaurantes, hotéis, pousadas, comércios e prestadores de serviços, gerando emprego e renda para toda a economia local.
Especialistas do setor também apontam que a criação do polo fortalece o reconhecimento institucional da vitivinicultura do Sul de Minas, o que pode abrir portas para novos programas de financiamento, parcerias com universidades e centros de pesquisa, além de ampliar a visibilidade dos vinhos mineiros nos mercados nacional e internacional. Para Andradas, a lei representa não apenas um incentivo à produção, mas também o reconhecimento de uma vocação econômica construída ao longo de gerações de famílias produtoras e que hoje coloca o município entre os principais polos vitivinícolas do Brasil.










