Operação reúne empresas do setor de terras raras e pode ampliar investimentos, transferência de tecnologia e oportunidades de processamento mineral no Sul de Minas Gerais.
A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou um acordo vinculante para adquirir 100% das ações da Meteoric Resources, empresa responsável pelo Projeto Caldeira de Terras Raras, localizado no município de Caldas, no Sul de Minas Gerais. O anúncio foi feito em 30 de setembro de 2026 e representa uma nova etapa para o desenvolvimento do empreendimento mineral brasileiro.
A transação prevê a aquisição da Meteoric por meio de uma operação integralmente em ações, conforme o modelo de scheme of arrangement, previsto na legislação australiana. A conclusão do negócio depende de aprovações dos acionistas e de procedimentos judiciais e regulatórios aplicáveis na Austrália e no Brasil.
A união das empresas aproxima o potencial mineral do Projeto Caldeira da experiência internacional da Lynas, uma das principais produtoras de terras raras do mundo, com operações na Austrália e na Malásia.
Projeto em Caldas tem relevância internacional
O Projeto Caldeira reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China, segundo o Código JORC, referência australiana para divulgação de informações sobre recursos e reservas minerais. O empreendimento possui elementos de terras raras leves e pesados e concluiu recentemente seu Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS), etapa importante para a avaliação de sua implantação.
De acordo com os dados divulgados pelas empresas, os recursos minerais do projeto contêm aproximadamente 802 mil toneladas de NdPr (neodímio e praseodímio) e 41 mil toneladas de DyTb (disprósio e térbio).
Esses elementos são utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em veículos elétricos, equipamentos para geração de energia eólica, produtos eletrônicos e outras tecnologias avançadas.
Com a incorporação do Projeto Caldeira, a Lynas estima ampliar em 79% seus recursos minerais existentes e em 26% suas reservas de minério, considerando as premissas e referências técnicas utilizadas pelas companhias.
Possibilidade de processamento no Brasil
Um dos pontos de destaque do acordo é a intenção da Lynas de avaliar oportunidades para desenvolver atividades de separação de terras raras no Brasil. A iniciativa poderá abrir caminho para novas etapas de processamento mineral em território nacional, ampliando a possibilidade de agregação de valor à matéria-prima extraída.
Atualmente, a Lynas possui experiência em mineração, processamento e separação de terras raras e é, segundo a companhia, a única produtora comercial de óxidos separados de terras raras leves e pesados fora da China.
A eventual implantação de atividades de separação no Brasil poderá contribuir para o desenvolvimento de competências técnicas locais, a formação de profissionais especializados e a transferência de conhecimento e tecnologia. Entretanto, as empresas ainda precisam avaliar as oportunidades para essas atividades, e não foi anunciada, no comunicado, uma decisão definitiva sobre a instalação de uma unidade de separação no país.
Financiamento para avançar com o empreendimento
O acordo também prevê apoio financeiro para a continuidade do desenvolvimento do Projeto Caldeira. A Lynas concordou em disponibilizar à Meteoric uma linha de financiamento interina de até 110 milhões de dólares australianos.
Os recursos poderão ser destinados ao avanço do projeto, aos custos relacionados à implementação da transação e às necessidades de capital de giro durante o processo de aquisição.
Em 30 de junho de 2026, a Lynas informou possuir aproximadamente 1,2 bilhão de dólares australianos em caixa e depósitos de curto prazo. A estrutura financeira da companhia poderá contribuir para o financiamento das próximas etapas do empreendimento, conforme as condições estabelecidas entre as empresas.
Diálogo com o Governo brasileiro
A Lynas e a Meteoric informaram que mantiveram diálogo com representantes do Governo brasileiro para discutir a operação e as perspectivas de desenvolvimento do projeto.
A interlocução ocorre em um contexto de fortalecimento das políticas relacionadas aos minerais críticos e estratégicos, com foco em inovação, desenvolvimento tecnológico, transferência de conhecimento e ampliação das etapas de processamento no país.
As companhias afirmaram o compromisso com uma relação institucional transparente e construtiva e com o cumprimento das exigências regulatórias aplicáveis à transação.
Parceria entre Brasil e Austrália
A operação também aproxima as experiências brasileira e australiana no setor mineral. Enquanto o Projeto Caldeira possui mineralização em argilas iônicas, em Minas Gerais, o depósito de Mt Weld, na Austrália Ocidental, desenvolvido pela Lynas, apresenta mineralização em rocha dura.
A combinação desses ativos reúne depósitos com características distintas e amplia a base de recursos minerais da companhia australiana.
Para o Sul de Minas, o avanço do Projeto Caldeira poderá abrir oportunidades relacionadas à mineração, ao processamento mineral e à formação de mão de obra especializada. A concretização desses benefícios dependerá, entre outros fatores, da evolução do empreendimento, das decisões de investimento e das autorizações necessárias.
Próximas etapas
O Conselho de Administração da Meteoric recomendou por unanimidade que seus acionistas votem a favor da transação, desde que não surja uma proposta superior e que o especialista independente conclua que a operação atende aos melhores interesses dos acionistas.
O negócio ainda está sujeito às condições previstas no acordo, incluindo a aprovação dos acionistas da Meteoric e as autorizações judiciais e regulatórias necessárias na Austrália e no Brasil.
Com o acordo, o Projeto Caldeira entra em uma nova fase de desenvolvimento, com a perspectiva de combinar o potencial mineral de Minas Gerais à experiência internacional da Lynas. Os próximos passos deverão esclarecer o cronograma de implantação, as decisões de investimento e a viabilidade de ampliar o processamento de terras raras em território brasileiro.
Fonte: comunicado divulgado pela Lynas Rare Earths e pela Meteoric Resources em 30 de setembro de 2026.










