Evita o cadáver que vive

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Neste dia de finados, relembramos uma história assustadora de um cadáver famoso, Eva Peron, dizem que ela vive, o fato se deve a perfeição de sua embalsamação . María Eva Duarte de Perón, conhecida como Evita (Los Toldos7 de Maio de 1919 — Buenos Aires26 de Julho de 1952), foi uma atriz e líder política argentina. Tornou-se primeira-dama da Argentina quando o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente. No dia 4 de fevereiro de 2019, a reportagem do Studio46 esteve no cemitério da Recoleta na Argentina, onde estão enterrados os restos mortais de EVITA.

O cemitério da Recoleta é diferente, onde os caixões de defunto são colocados a mostra, o mausoléu de Eva Perón é um dos mais visitados, um belo bairro de Buenos Aires, com cafés e restaurantes, ali descansam os restos mortais de Evita, que é cultuada até os dias de hoje.

Andradenses visitam tumulo de Evita

“Não, eu não sonhava em ser primeira-dama. Muito menos em virar Líder Espiritual da Nação Argentina, como me nomearam, para minha mais profunda honra. Eu apenas sonhava com uma nação justa! Uma nação onde prevaleceria a vontade daqueles que trabalham! Uma nação que nada teria a temer…” certo dia disse Eva Peron.

 

A Morte de EVITA

 

A mulher mais poderosa da Argentina foi vencida por um câncer aos 33 anos, após suplicar ao povo que não a esquecesse. Naquele 26 de julho de 1952, as rádios transmitiram a mensagem oficial: “Às 20h25, entrou na eternidade a senhora Eva Perón, líder espiritual da nação”. Não eram meras palavras: o presidente Juan Domingo Perón (1895-1974) decidiu embalsamar o cadáver da esposa. Entregou-o ao anatomista espanhol Pedro Ara.

Na manhã seguinte, o doutor Ara declarou que o corpo estava incorruptível. Assistentes de Evita pentearam seu cabelo, pintaram as unhas e envolveram as mãos com o rosário que ganhara do papa Pio XII (1876-1958).

Após 13 dias de velório, Ara retomou seus trabalhos num laboratório secreto montado no 2º andar da Confederação Geral do Trabalho (CGT), em Buenos Aires. Submergiu o corpo em acetato, injetou glicerina nas artérias e parafina líquida no globo ocular. Evita ficou mais jovem que nunca. O artista levou três anos retocando sua obra.

 

Tumulo da Família de Evita

Obsessão por Evita

Na noite de 23 de novembro de 1955, um comando militar invadiu a sede da CGT. O então coronel Carlos Koenig, chefe do Serviço de Inteligência do Exército (SIE), olhou com desprezo para a múmia ao lado do doutor Ara e a levou para um caminhão. Cientistas extraíram um pedaço da orelha esquerda, cortaram a falange de um dedo, fizeram radiografias e decretaram: era mesmo o cadáver de Evita.

Essa confirmação levou pânico ao general Pedro Aramburu. Se os peronistas roubassem o corpo, poderiam usá-lo como uma bandeira da resistência. Evita morta era mais perigosa que viva! Alguns oficiais sugeriram cremá-la. Outros, jogá-la no rio La Plata. Já a Marinha queria desintegrá-la com ácido. Católico fervoroso, Aramburu decidiu dar ao corpo uma sepultura cristã. Por isso, ordenou a Koenig enterrá-lo num local seguro.

Mas a missão degringolou. O desprezo do coronel por Evita virou uma obsessão. Koenig já não podia viver sem ela. Precisava escondê-la para desfrutar sua presença, e por isso rodou com a defunta pela cidade. De acordo com algumas versões, tentou deixá-la com a Marinha. Ante a recusa, ocultou-a atrás da tela do cinema Rialto. Em seguida, escondeu-a no sótão da casa do major Arandia, um velho amigo. Uma noite, Arandia ouviu ruídos e disparou a pistola, achando que os peronistas haviam invadido a casa. Acabou matando sua mulher, que estava grávida.

Koenig então levou a múmia ao seu escritório no SIE. Convidava pessoas até lá e lhes mostrava o corpo. Quando Aramburu soube disso, os militares já comentavam que Koenig masturbava-se na frente do corpo, urinava em cima… e vai saber o que mais. Tanto fez que foi confinado num regimento da Patagônia.

The bodies of Argentinian President Juan Domingo Peron (1895 – 1974) and his first wife Eva Peron, known as Evita, (1919 – 1952) at the Presidential Residence in Buenos Aires where they could be viewed by the public. The body of Eva Peron had been brought from a tomb in Italy. (Photo by Keystone/Getty Images)

 

Operação Traslado

Começava a Operação Traslado para a Italia. O corpo sairia do porto de Buenos Aires com o nome falso de María Maggi de Magistris, uma italiana morta em 1951. O coronel Hamilton Díaz, do SIE, fingiria ser o viúvo, e o suboficial Manuel Sorolla usaria sua identidade real. Chegando a Gênova, o corpo seria recebido por uma monja paulina, Giuseppina Airoldi, que não imaginava que a morta era Evita.

Como Evita pesava pouco, os militares puseram pedras junto com o corpo. Mas exageraram. Os fiscais do porto desconfiaram do enorme peso e quiseram abrir o caixão. O padre Rotger entrou em cena. “Era uma mulher muito gorda”, justificou. Deu certo, e a transferência foi autorizada. Na Itália, o falso viúvo colocou Evita num furgão rumo ao Cemitério Central de Milão. Na folha 4609 do registro, um empregado anotou: “María Maggi de Magistris. Data de falecimento: 23-02- 1951. Fossa 41. Data de enterro: 13-05-1957.”

Em 1971, o coronel Alejandro Lanusse chegou à Presidência admitindo negociar com Perón. Como gesto de boa vontade, decidiu entregar o corpo ao marido, que vivia exilado em Madri. Lanusse chamou o amigo Rotger para dizer que era hora da Operação Devolução… 14 anos depois. Desta vez, Sorolla fingiu ser irmão de María.

Bruxaria

Após dois dias de viagem de carro, o corpo chegou a Madri em 3 de setembro de 1971. Perón recebeu-o em sua residência no bairro de Puerta de Hierro, junto à terceira mulher, Isabel Martínez, e seu assistente José López Rega – conhecido como o bruxo.

E haja bruxaria: López Rega passou a usar a falecida em rituais ocultistas. “Ele fazia Isabel se deitar sobre o cadáver e pronunciava orações. O objetivo: fazer a alma de Evita passar ao corpo de Isabel”, afirma o jornalista Sergio Rubín. Com o retorno da democracia, em 1973, Perón regressou ao país e venceu as eleições para presidente, com Isabel de vice. Mas os montoneros não o perdoaram por deixar Evita na Espanha. Sequestraram o corpo de Aramburu e anunciaram que só devolveriam se a Madre Mía retornasse também.

Em 1974, Perón morreu e Isabel se tornou presidenta. Ela contratou o restaurador Domingo Tellechea para reparar o cadáver. Anos depois, ele revelou que o corpo apresentava uma profunda incisão no pescoço, o nariz destroçado e um dedo do pé a menos. “Esses danos não se produziram pelo movimento do corpo, e sim por uma grande força exercida contra ele”, disse. Fica a suspeita de que os militares atacaram a múmia antes de devolvê-la.

Em setembro, Evita finalmente foi levada de volta à Argentina, num voo charter, e colocada na residência presidencial de Olivos, junto ao corpo do marido. Em março de 1976, um novo golpe levou a Argentina à sua ditadura mais cruel. Os militares entregaram o corpo de Evita a suas irmãs, que o depositaram no Cemitério da Recoleta. É lá que ele hoje descansa, a 6 metros de profundidade.

“Se este povo me pedisse a vida, daria-lhes cantando, pois a felicidade de um só descamisado (apelido dado aos trabalhadores simpatizantes do peronismo) vale mais que toda a minha vida.” Eva Perón.

 

Com informações de:

Studio46

Wiikepedia

aventurasnahistoria.uol.com.b

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