Dicas de Paulo Marcon para quem quer investir e empreender

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Empresário andradense analisa as perspectivas para 2021. Antes do início da entrevista, Paulo Marcon faz um alerta. Ele lembra que não é um economista, e sim um conhecedor do mercado, que procura se informar e pesquisar sobre investimentos. É importante salientar, de toda forma, que seu currículo e trajetória o colocam como um dos principais empresários da cidade. Formado em administração de empresas pela FAAP/SP, Paulo fez especialização na área de marketing e passou pelo Banco Itáu atuando na área mercadológica, antes de voltar a Andradas em 1983.

Inicialmente, ele trabalhou na área de comércio, como proprietário de um posto de gasolina. Entre 1985 e 1986, foi o primeiro presidente da ACIRA (Associação Comercial, Industrial e Rural de Andradas). E entre 2005 e 2015, foi diretor e sócio da Cerâmica Fiori. Durante sua passagem, a empresa passou por uma grande reestruturação: Se no início estava quase fechando, no momento da venda para a multinacional Kohler, alcançava a marca de 800 funcionários.

Paulo Marcon em entrevista para a Revista Andradas

Saída da FIORI

Desde sua saída da Fiori, Paulo participa de várias empresas nas áreas imobiliárias e de construção e se dedica ao mercado de investimentos. E a reportagem da Revista Andradas o procurou para falar sobre esse assunto.

Antes que pudesse compartilhar sua opinião sobre os investimentos, porém, ele foi convidado a fazer uma análise sobre o cenário da economia em 2020. Além da apreensão gerada pelo COVID-19, Paulo destaca o que chama de “loucura de valores e de preços” no mercado da construção. Na sua opinião, 2020 era para ter sido o ano do arranque do setor imobiliário, e esse movimento foi freado devido a corrida por insumos na área de construção que, acompanhada da baixa de oferta de produtos, fez os preços subirem.

Revista Andradas entrevista Paulo Marcon

O empresário também crê que independente da pandemia, as coisas não vinham bem a algum tempo: “Desde 2015 estamos esperando essa retomada do crescimento. Até 2014 temos uma fase interessante na economia, e depois quer por motivos da briga política, ou por interferências da Lava-Jato – não que ela tenha sido ruim, pelo contrário, foi positiva – isso acabou abalando de uma forma ou outra o cenário econômico, e trouxe todo esse desemprego que a gente torce para que seja reduzido o mais rapidamente possível”, diz.

Apesar disso, ele acredita em uma possibilidade de retomada no ano que se inicia. Para tanto, são necessárias algumas condições: “No início do ano pode acontecer muita coisa. Se a vacina vem e ela começa a derrotar o vírus, as perspectivas mudam bastante. Diante desse quadro, levando em consideração que o governo vai fazer a parte dele contra a vacinação, começamos a enxergar um cenário positivo para 2021. Mesmo porque o país precisa crescer, não tem como ficar parado, senão o desemprego não diminui e a situação econômica fica muito mais séria. Temos que acreditar que o crescimento do Brasil, na projeção de 3% ao ano, vá se realizar e até superar esse patamar”

Paulo Marcon fala do custo da Pandemia

Paulo ainda acredita que novas reformas, como a trabalhista e a da previdência, sejam necessárias: “O cenário principal é de necessidade de algumas reformas, porque o custo da pandemia foi altíssimo. Saímos de uma dívida interna de 60% do valor do PIB para quase 95% do PIB como dívida. E isso é preocupante, porque o mercado externo quando vai investir, ele olha o valor da dívida.

E o país tem que preparar para isso, tanto que a reforma da previdência era nesse sentido. Foi uma grande vitória, mas não chegamos nem a comemorar, porque a pandemia levou esse ganho e muito mais. Temos que recuperar isso, ao menos planejar se essa diferença vai ser paga em 20, 30, 40 anos. Temos que ter essa perspectiva e de que forma ela vai acontecer, porque senão os investimentos externos reduzem, o dólar sobe, a inflação dispara e o cenário fica muito mais perigoso”, analisa.

Uma vez registradas as observações, Paulo aceitou compartilhar suas visões a respeito do que acredita que possa ser tendência para 2021. Destacamos as partes mais importantes da conversa abaixo:

Paulo em entrevista ao repórter Fellipe Igor

O mercado imobiliário

“Pelo que estamos percebendo, o mercado imobiliário é bastante interessante. Porque com a taxa de juros baixos do jeito que está, vale a pena planejar uma dívida de longo prazo – Estou falando de quem quer comprar um imóvel – Isso é um grande incentivo. E existe uma demanda muito grande nesse setor. É algo que deve chamar a atenção. Acabei de falar do problema de estabilidade dos preços, nesse primeiro trimestre do ano acho que vai ser o suficiente para começar a estabilizar. É um mercado que sem dúvida alguma vai ser interessante para investimentos”

 

Dicas para quem quer investir

“O perfil do investidor é que define o que ele vai fazer. Se ele tem um perfil conservador, que não quer arriscar absolutamente nada, então ele vai ganhar menos. Ele tem que ficar na renda fixa, no tesouro direto – que é muito melhor que uma poupança – na aplicação em CDB, que pode resgatar quando quiser. Se ele não é uma pessoa conservadora e tem uma certa disponibilidade de valores a longo prazo, então ele tem que pensar em alguma coisa um pouco mais arriscada. Talvez um fundo imobiliário, seja ele em nível de FIIs (Fundo de Investimento Imboliário), que está muito em voga hoje. E aí você tem uma série de possibilidades, você pode investir em FII de shoppings, que tem muitos por aí. FII de centros de distribuição de mercadorias.

O Mercado Livre, por exemplo, está fazendo imensas obras, comprando ou alugando imensos galpões para estocagem e distribuição de produtos. Temos transportadoras e distribuidoras grandes que investem nessa área de aluguel de espaços. Tem de escritórios e de empresas. Sempre vai ter escritório, a empresa vai ter uma área para criar seu ambiente de trabalho. Pode ser que muitos fiquem em casa, mas ela vai ter essa área. Em vez de você comprar uma casa para receber o aluguel, você compra cotas de fundo imobiliário e vai receber aluguéis desse investimento. É bastante interessante.”

O mercado de ações

“Se você é mais arrojado e não tem medo do risco, e esse dinheiro está disponível, não tenho dúvida que o mercado de ações é muito interessante. O Ibovespa estava próximo de 120.000 pontos em fevereiro e março, caiu para 60.000 com a pandemia e está voltando para 120.000 de novo. O mercado de ações está recuperando toda a perda da pandemia e, com certeza, tem muito o que crescer, pois são poucas as pessoas que investem. O número é ridículo perto do mercado americano e da Europa. E na verdade (investir em ações) significa o que? As pessoas que acreditam que aquela empresa ou volume de empresas vão gerar lucro, que o país vai desenvolver.

Acho que todos deveriam diversificar. Coloca um pouco no investimento que você possa resgatar rápido, onde você tenha sua reserva e em caso de emergência consiga pegar. E separe um valor – se você for muito conservador, deixe 20, 30, 40% nesse tipo de investimento. E no resto, arrisque um pouco, porque é aí que você vai ter um ganho. No outro, você vai acompanhar a inflação.”

 

O que define um bom empresário?

“Agressividade. Não pode ficar parado esperando as coisas acontecerem, tem que ir atrás para que a isso aconteça. Ter um certo domínio do mercado onde ele atua, ou estar cercado de pessoas que conheçam esse mercado, para que ele faça as jogadas corretas. Acreditar que o produto dele seja competitivo, e investir para que esse produto esteja entre os bons produtos do mercado onde ele atua. E principalmente, encarar o mercado com base na realidade. Porque muitos acham que ao todos vão vir comprar, quando é você que tem que ir atrás para mostrar o diferencial do seu produto.”

 

Matéria original da Revista Andradas edição 22 de março de 2021

Repórter Fellipe Igor Teodoro

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